domingo, 4 de junho de 2006

Retornos II

Febril, de 18/02/2004
Aridez pousada em meus olhos, foge
Todos os dias palavras não bastam, arde
Convulsivo passo atrás de um chão ou porto, navega
Desenfreado Odisseu irretornável, segue
Os animais ariscos na ponta dos meus dedos, sente
O doce abismo te carcomendo os pés, espera
As horas desfazendo nevrálgicas os nós, tece
Labirintos onde habitar enviesada.

Nunca porta alguma para o roseiral.
Nenhuma deusa canta a minha cólera.
Aridez, faz ninho em mim, aridez-persona, aridez-pomo,
Esculpe teu deserto em mim, derrete
De uma vez esses olhos míopes, derrete
De uma vez essas mãos incautas, pulveriza
De uma vez essa máscara rala.

Febril, tecendo cordas com peles impossíveis,
Procuro por debaixo da rasura a palavra que me dê sentido.

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