domingo, 4 de junho de 2006

Dialógicas I, ou Disseminálogos I

Ninguém escreve aqui além de mim: eis o que parece anunciar a assinatura que acompanha cada postagem e que paira no canto superior direito da tela, a cada vez. A reiteração do nome pareceria, a um primeiro olhar (que não precisa ser o primeiro em ordem cronológica ou lógica, mas acompanha a cada vez o ato de olhar) ou a uma certa leitura (a primeira ou a última, igualmente), fazer compor um monólogo, ainda que interminável, delegando aos "comentários", numa janela separada, a possibilidade de diálogo.

Mas o que se guarda numa assinatura? Dos direitos autorais e de propriedade intelectual, tal como codificados no texto de leis nacionais e internacionais, à individualidade singular de um vivente, uma assinatura guarda e reproduz, repetitivamente, a singularidade do próprio e a individualidade e indivisibilidade do proprietário do próprio. A assinatura pretende repetir a cada vez uma unicidade, mas no próprio movimento da repetição o que se apaga, se cinde e se rasura é a unicidade do único, da assinatura, do nome próprio. Ao mesmo tempo, pois, a assinatura: guarda da lei sobre a reprodutibilidade e lei da reprodutibilidade essencial, da repetibilidade originária do próprio, do si ou do outro.




nomes, de 23/04/2004

impropriedades

Sempre que assino meu nome penso em como a unidade artificial das minhas experiências se materializa nele, que se classifica gramaticalmente de nome próprio. Próprio de quem? de quantos? Quem assina quando eu assino? quens?

Nesse fluxo interminado, nesses feixes de subjetivação que me fazem divíduo, e não indivíduo, que me dividem portanto no mesmo movimento que parece me dar unidade, nesse ri(s)o, assino aqui meu nome: Marcelo.

rasuras

A rasura deixa ver aquilo mesmo que se teria pretendido apagar. Ambíguo, talvez irônico, esse jogo duplica e fende. A rasura faz despaisamento no nome.




Assinatura, de 30/04/2004

Até que meu nome se transforme em minha rasura?

4 comentários:

Anônimo disse...

Apropriamente (por mim mesmo...)

"(Não) ser é outro (ser)"
Fernando Pessoa(s)

PS (não solicitado):
(i)pq gosto tanto dos parenteses (intra-inter-palavras...)? pq ali, palavra divídua, está a imanência do outro...
(ii)pq gosto tanto de abre-viações e reticências? --> a seguir, espaço aberto para sugestões
(...) ou ...( )...

Anônimo disse...

mas quem?

Anônimo disse...

Meu caro amigo Marcelo - Mar(te)celão para os íntimos...

Mas ora pois! Talvez a poesia do comentário esteja propriamente na minha imprópria assinatura, menos anônima que anímica-perspectivista... Agora vc já sabe que so(o)u (familiar)?

Anônimo disse...

sim sim sim!
inferindo uma conexão entre o comentário que inicia essa série e aquele que foi feito no cabeliasbar!
só podia ser r. desassinando-se assim, entre parênteses