sábado, 3 de junho de 2006

A angústia do retorno, ou Retornos I

De Odisseu a angústia cultivo,
Perpasseando em tornos e retornos
Às voltas com meu olhar esquivo,
A rocha torta, opaca, terrosa.

Onde a Ítaca do meu desassossego?
Onde a paragem e a pastagem,
Para dos olhos o cristal inquieto
Serenar, retornado, encontrarei?

Assim quis, um dia ou agora, começar um longo périplo poético. Da Odisséia ao Finismundo, parecia ter um itinerário a seguir, um ponto de partida e um ponto de chegada que, folheandando as páginas dos livros ou a fotocópia velha e encardida, eu poderia encontrar. Mas da Odisséia ao Finismundo são os passos que se desencontram de si, a angústia do retorno. Peripulando outros périplos, da estrada de Minas pedregosa e de uma máquina mundana, de uma gama de navegações incertas, sonhei um trajeto impossível. O outro, o meu, tacanho, indeciso, duvidoso, traço a cada vez nas linhas que me cindem, labirínticas em sua retidão, e na tela que me cata os olhos, fluindo o líquido cristal.

Aqui, pois, onde estiver, ilhadonde, comporei os rastros e as ruínas. É o que ofereço. Reflexões - especulares e especulativas. Esboços de obras volumosas. Ensaios noturnos sobre o que não foi - o que, não tendo sido, constitui o sendo. A senda.

Um comentário:

Anônimo disse...

Marcelo,

Que beleza, além de todo o talento estudantil vc tb é poeta. Que legal, parabéns. Abraços da Sandra.