mudas
pequenas pedras, plantei: como quem espera da solidez absoluta erigir uma morada imperecível. não vingou. viceja agora, sobre elas, manto seco de folhas. me ensurdece a mudez de suas peles: as trilhas sinuosas na palma das folhas, as nervuras como cifras, como rugas, como tripas.
no recanto de meus olhos, plantei: um sal de lágrimas indecorosas, como uma pequena areia dura, em relevo sobre o vermelho fundo, o vermelho amanhecido, o vermelho-ferro. espero.
mas nas minhas mãos não se faz germe, ou vigor, tampouco aurora, esse plantio: procuro ainda: as sementes, como janelas, como nomes, como telas, que hão de amanhecer as portas para a singradura de meus passos, de meus traços, de meus zelos.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
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